Camarins

camarins de um desfile de moda

Os camarins de um desfile  são, normalmente, pouco ou nada glamourosos.

Há um charriot por modelo (cabides móveis) onde estão pendurados todos os combinados que o modelo irá desfilar no dia.

charriot

Charriot

O charriot é identificado com uma fotografia e nome do modelo.

Dependendo do tipo de desfile, poderá haver de 1 a 20 combinados por modelo.

Aderecistas

Nos camarins, além dos modelos, estão também aderecistas – pessoas responsáveis por dar suporte ao modelo e às lojas, garantindo que os combinados são bem montados e que o modelo está bem trajado – que nos ajudam a fazer as provas de roupa (algumas horas antes do início do desfile), trocar alguma peça que possa estar demasiado justa ou larga ou até fazer algum trabalho de costura, se necessário.

Sempre trabalhei com aderecistas fantásticas, cheias de paciência e dotadas de extremo profissionalismo. Sempre devolvi esse respeito e consideração.

O normal era receber um par de sapatos que não servia, umas calças demasiado curtas ou um casaco demasiado justo. A aderecista deslocar-se-ia à loja após a prova de roupa terminar e procedia à troca.

Normalmente havia uma aderecista por cada dois ou três modelos.

Durante o desenrolar do desfile, eram também elas, que nos ajudavam a vestir e despir, em fracções de segundo, e a garantir que ficávamos prontos para a entrada seguinte em passarela.

Desfiles de Portugal

Os tipos mais comuns em Portugal são os desfiles de rua, produzido por associações de lojistas ou câmaras municipais e em centros comerciais, financiados pelas respectivas administrações e/ou lojistas.

Em ambos os casos, o produtor de moda faz uma seleção dos modelos junto das agências e envia as medidas e fotografias de cada modelo para todos os lojistas a participar no desfile. Nem todas as lojas participam nos desfiles. Em muitos casos isto acontece porque há um custo de participação que deve ser assumido pelo lojista e nem todos optam por assumir esse investimento.

Nos shoppings os corredores assumem a forma de um camarim.. Em câmaras municipais, algumas salas são vagadas para receber maquilhadores, cabeleireiros, modelos, bailarinos e outros mais. Cada evento é único até nos camarins.

Este tipo de desfiles são caracterizados por uma proximidade e ligação com o público maior. Nestes desfiles não somos apenas cabides andantes que não devem interferir com a apresentação da roupa. Somos pessoas com sorrisos, que olham outras pessoas nos olhos. É um publico diferente, que se quer divertir e fazer parte de um espectáculo.

Além dos lojistas de roupa, cabeleireiros e restaurantes juntavam-se ao evento. Os cabeleireiros começavam a tratar dos cabelos com duas a três horas de atencedência e os restaurantes ofereciam refeições gratuitas aos modelos e staff.

Noutras circunstâncias, quando não se fechava parceria com nenhum salão de cabeleireiros, uma equipa externa de cabeleireiros juntava-se ao grupo. Os maquilhadores – normalmente uma equipa de 2 pessoas contratadas pelo produtor – mantinham-se nos camarins durante todo o evento para prováveis retoques.

Estamos todos nus ou semi-nus

De forma geral, entre colegas, existe consideração e respeito pela privacidade. Este respeito intensifica-se quando o grupo de modelos é um grupo mais maduro, mais experiente e profissional. Eu diria até que estamos tão focados no trabalho, a relembrar coreografias e garantir que a rotina de lojas é cumprida à risca, que nem nos apercebemos que há gente nua à nossa volta. Quando nos lembramos disso, já estamos no carro de regresso a casa.

Em grupos mais “novos” há sempre um ou outro que aproveita para deitar o olho a esta/e ou a outra/o modelo a trocar de roupa.

O mesmo acontece com algumas aderecistas mais descaradas e atrevidas. Nada de mais.

Ainda temos tempo

Entre as provas de roupa e a altura em que o desfile começa, há um espaço de tempo que os modelos aproveitam para fazer compras, ir ao cinema, dormir nos camarins, andar de patins, etc.

Em quase todos os desfiles que fazia em shoppings a primeira coisa que fazíamos era escolher o filme que iríamos ver.

Vai começar

À entrada para a passarela existe um elemento da equipa de produção que comunica via rádio com a régie e vai coordenando com esta as entradas e saídas dos modelos, passagens de quadros e lojas.

Existe também um (ou vários) papel afixado que lista o nome dos modelos por loja e a sequência das lojas no desfile – denominados de quadros.

Os modelos estão organizados à entrada, por vezes até em fila indiana, relembram coreografias e gerem como podem o “nervo miúdinho” enquanto aguardam instrução para entrar.

Os receios são sempre os mesmos: “Os saltos são demasiado altos, espero não tropeçar”, “O vestido é demasiado longo, espero não tropeçar”, “Vou descer uma escadaria, espero não tropeçar”.. enfim, acho que já perceberam a ideia.

Boa sorte colegas, vamos!


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